terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Indicando: Mensageiros da Profecia




   "Indicando" pretende ser uma série de postagens que dará visibilidade a produtos culturais de boa qualidade e coerentes com A Escritura. Hoje nós temos o grupo de rap Mensageiros da Profecia. Sei que algumas pessoas têm preconceito com esse estilo, mas, mesmo se você é uma dessas pessoas, deveria dar uma chance para o grupo, já que suas letras são genialmente construídas, profundamente críticas e profundamente bíblicas. 


Deixa eu entrar


   A primeira música que eu gostaria de indicar se chama Deixa eu entrar. Sua música mais famosa, com mais de 3 milhões de visualizações no Youtube, é um tapa na nossa cara, que, como os fariseus, falamos demais, mas não agimos de acordo. Acho melhor deixar a música falar por si mesma: 


"(...) Você pensa que ter tudo é ter carro, casa, piscina

E ter tudo é ter a mim, caminho, verdade e vida
Você quer um Deus que mude sua externa situação
Mas estou mais preocupado em transformar o seu coração
E não me diga que já está transformado
Pois se estivesse com estas coisas não estaria preocupado
Seu coração está no tesouro errado
Busca primeiro o meu reino e tudo será acrescentado
Não adianta visitar o templo todo domingo
Em verdade eu vos digo, não é neste templo que eu habito
O templo que eu habito está fechado e você não me abre
Mesmo quando estou a porta e bato (...)"

Link: https://www.youtube.com/watch?v=lpkSkyOI9uY



Relatos dos que ficaram


   Esta segunda música é incrível; e longa. 9 minutos de pura levada underground, que conta a história de três pessoas que ficaram após a volta de Jesus; uma pessoa que não conhecia o evangelho, uma que era desviada e uma que estava na igreja, mas não era salva. Eles adotam a visão escatológica mais comum em nosso meio, o Pré-milenismo, visão com a qual não concordo mais graças ao pessoal do grupo Bibotalk (Entenda o porquê neste podcast: http://bibotalk.com/podcast/btcast-034-o-milenio/).

   Mas mesmo os amilenistas mais ferrenhos têm que admitir a sofisticação artística e o apelo emocional da música. Fiquem com um trecho para vossa alegria:

"(...) O sol já tinha nascido

e a vigília já tinha acabado
eu conversando com os irmãos
por um segundo olhei pro lado
foi de repente como um flash na minha visão
me ofuscando atordoado eu cai no chão
sete milésimos de segundo
que parecia uma eternidade
a história do arrebatamento era mesmo verdade
eu não entendo por que dessa igreja só eu que fiquei
se subiram vários pecadores onde que eu errei
eu ali o chão tomado pelo rancor quando eu ouvi uma voz:
não você só quem ficou
na verdade subiram os que se converteram
e de coração realmente se arrependeram
diferente da gente que era só de fachada
que não podia ver um erro que o dedo apontava
eu, o pastor fiz a panela com louvor
louvávamos a nós mesmo e não ao nome do Senhor (...)"



Link: https://www.youtube.com/watch?v=GRRCE-lcXZ8


Ostentação e astentação 


   Uma mistura de funk com hip hop, aforismos filosóficos e críticas sociais... uma obra de arte. Posso dizer com toda certeza que há no mundo que esse é meu funk favorito. Não faz repetições sem sentido como outros funks gospel, mas vai na raiz do problema, condenando a futilidade de um mundo sem moral e sem Deus. Assim como as outras músicas deles, você tem que ter paciência, parar e pensar. Um trecho:


"(...) Entendem, sei como será o mundão futuramente

Se os pais de hoje
são os filhos rebeldes, de antigamente
Consequentemente os filhos de hoje serão pais
Círculo vicioso no compasso de satanás

A mídia prega um novo padrão de família

E a família que Deus criou, aos poucos é destruída
E os filhos dessas famílias
não assistem mais balão mágico
Liga a Tv e curte um som, com conteúdo pornográfico
Neste século, a juventude se mata mais fácil
Já que ninguém sabe mais
o que é certo e o que é errado
"Cê" acha poucas são pouco vazio, portanto fuzil
Coração frio, que raja sem dó, bem vindo ao Brasil (...)"

Link: https://www.youtube.com/watch?v=VbDl60Jf-0c



A parábola do Reino 


   Construindo uma narrativa de maneira semelhante à de Relatos dos que ficaram, A parábola do Reino é a música mais recente desta lista e certamente a mais cômica. Se você quiser criticar a teologia da prosperidade e o Neopentecostalismo, e ainda rir nesse ínterim, essa música foi feita pra você. Enfiada em centenas de camadas de ironia está um chamado para voltar a um evangelho simples e sólido. Confiram o início: 


"Em um reino distante onde a graça tonou-se lei
Levantaram boatos infames contra um rei dizendo
"já não há mais livre acesso ao trono ao castelo
Seremos nós o porta-voz do reino entre os servos"
Pobres servos não conhecia um certo livro
Que contava a história do rei desde o inicio
Um rei benevolente, humilde, sábio, supremo
Capaz de dar sua vida por qualquer um do seu reino
Os feiticeiros arrastavam multidões de tolos
Vendendo amuletos, arrancando o ouro do povo
E se alguém se opusesse aquela patota opressora
Aprisionavam o pobre coitado lá na masmorra
Até que dois bobos da corte do rei se tornaram amigos
E disseram: "majestade o seu reino está dividido"
O rei entristecendo mas conhecendo aquela casta
Enviou os dois bobos pregando através de metáforas
E os dois bobos da corte estipularam um plano
"como chegar até o povo? " e a ideia era rimando
Colocaram um palco na praça reuniram a multidão
E abertamente falavam do livro da revelação (...)"


Link:https://www.youtube.com/watch?v=gdOuRF83wBQ




Por Thiago Francisco

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017


A Filosofia do Martelo


   Nasceu dentro de um lar cristão um dos maiores críticos do cristianismo, que tem muitos seguidores hoje em dia. Estudiosos se especializam em sua vida e em seus ensinamentos. Ele não só criticou o evangelho, mas a qualquer sistema ético que admita uma moral objetiva. Ele criticou os filósofos que vieram antes dele; Sócrates, Platão e Aristóteles não escaparam. Ele foi considerado uma das mentes mais brilhantes do seu tempo, apesar de suas ideias não terem muitos adeptos enquanto estava vivo.
   Você já ouviu falar na palavra desconstruir? Ele foi quem popularizou essa expressão. Falou isso pois sua filosofia crítica era como um martelo que desconstruia tudo ao seu redor, deuses, crenças, filosofias, ideologias religiosas ou não. Achava que o homem não devia estar preso a nada. Os seus seguidores dizem que ele veio desconstruir, ou destruir, muletas metafísicas, porque achava que o homem estava escravizado por rótulos. 
   Você já ouviu falar a frase "deus está morto"? Pois bem, foi ele quem escreveu. Claro que a sua principal crítica era ao cristianismo, mas também estava se referindo à crença em qualquer padrão absoluto de comportamento, o que suprimiria a vontade de poder, a única coisa que valia a pena para ele.
   Friedrich Nietzsche, filósofo alemão, nasceu em 1844, filho e neto de pastor. Abandonou a Fé no período da faculdade, e na juventude abraçou o ceticismo.
   Fez uma crítica ao cristianismo que chamou de "a moral do rebanho", ou "moral dos fracos". Aqui ele diz que a vontade do indivíduo se dissolve no meio do rebanho, e que a pessoa é carregada pela multidão. 
   Nietzsche morreu em 1900 aos 56 anos. Morreu louco sob os cuidados de sua mãe e de sua irmã. Alguns estudiosos acreditam que seus livros foram escritos no período de crises nervosas, e que ele estava a base de remédios. Mesmo assim deram a ele todo esse crédito.
   Perguntas: Como ele passou de uma mente brilhante a uma mente louca? Seria por afrontar esse alguém superior que ele tanto desprezou? 
   Dizem que Freud se inspirou nos escritos de Nietzsche para produzir algumas teorias da psicanálise. Seria coerente ter como referência os escritos de alguém que enlouqueceu? Como me entristeço em ver que nossos heróis passaram de homens perfeitos para os homens comuns, e agora o padrão são homens que morreram loucos, tristes, solitários e sem esperança. Esse é o espírito de nosso tempo, uma geração que ama se autodestruir.
   Será que Nietzsche realmente pensava que por sua frase " Deus está morto", o cristianismo iria mesmo recuar? Se ele estivesse aqui veria que pelo contrário, do período em que viveu até hoje, o cristianismo só cresceu.
   Nós não percebemos, que quando dizemos "Deus está morto", não estamos matando a Deus, estamos apenas marcando a data para nossa própria morte. 

1 Coríntios: 1. 18. Porque a palavra da cruz é deveras loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus. 19. Porque está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios, e aniquilarei a sabedoria dos entendidos. 20. Onde está o sábio? Onde o escriba? Onde o questionador deste século? Porventura não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo? 21. Visto como na sabedoria de Deus o mundo pela sua sabedoria não conheceu a Deus, aprouve a Deus salvar pela loucura da pregação os que crêem.

   Nietzsche usou seu martelo e conseguiu muitos adeptos, mas não importa o que o homem, particulazinha da criação faça, grite, persiga, Deus continuará reinando soberano.

Salmos: 2. 1. Por que se amotinam as nações, e os povos tramam em vão? 2. Os reis da terra se levantam, e os príncipes juntos conspiram contra o Senhor e contra o seu ungido, dizendo: 3. Rompamos as suas ataduras, e sacudamos de nós as suas cordas. 4. Aquele que está sentado nos céus se rirá; o Senhor zombará deles. 5. Então lhes falará na sua ira, e no seu furor os confundirá, dizendo: 6. Eu tenho estabelecido o meu Rei sobre Sião, meu santo monte.

Jeremias: 23. 29. Não é a minha palavra como fogo, diz o Senhor, e como um martelo que esmiúça a pedra? 



Escrito conjuntamente por Cassia Regina e Thiago Francisco.