quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

- Não é sobre você! -
Doutor Estranho e o Cristianismo


   Doutor estranho é um filme da Marvel lançado em novembro de 2016. Nele o cirurgião de sucesso Stephen Strange, protagonizado por Benedict Cumberbatch, passa por uma série de eventos que o levam a uma sociedade mística secreta, onde aprende a controlar poderes mágicos para proteger a Terra de seres malignos. 
   O filme faz um bom o uso da "fórmula marvel", da qual muitos de nós já nos cansamos; tem muitas qualidades e muitos defeitos, mas, sem dúvida, o que mais me impactou foi uma curta frase de quatro palavras.
   Mais ou menos no meio do filme, há uma cena memorável em que Stephen converssa com a Anciã, membra mais experiente da organização. Em certo ponto da conversa a anciã diz a ele: "Realmente você evoluiu muito rápido, aprendeu muitas coisas, mas ainda não aprendeu a lição mais importante: 'não é sobre você' ".
   De tempos em tempos, pela graça comum, os ímpios tropeçam na verdade.  Aqui está o cerne do cristianismo: "não é sobre você", em outras palavras: "Respondeu-lhe Jesus: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo" (Mateus 22, 37 - 39).
   Esse universo não é nosso, nossa história não é a mais importante, nem nossa vida é nossa. Tudo isso, toda a história, é a história de Deus; é Deus revelando seu Filho com toda a sua glória, majestade, poder, honra, beleza.
   Não podemos ser focados em nossa própria narrativa pessoal de sucesso, nos lembra Guilherme de Carvalho em seu sermão Extroversão Espiritual. O foco das pregações é o indivíduo (que, aliás, é um conceito moderno anti-bíblico), o foco das canções é o indivíduo, o foco dos livros cristãos é o indivíduo. Estamos acostumados a dizer: "Jesus entrou na minha vida e ela mudou", deveríamos dizer: "Eu entrei na história de Jesus e minha vida mudou". Jesus não é um detalhe que serve pra me satisfazer, Ele é um Deus que merece glória. Nossa história passa a ser a de Jesus.
   "Porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com ele em glória. " (Colossenses 3, 3 - 4).
   "Porque, se fomos plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressurreição; " (Romanos 6, 5).
   Em segundo lugar, como reflexo inevitável do amor a Deus, temos o amor ao próximo. Deus não precisa de nós, Ele é autossuficiente. Nós é que precisamos dEle. Quando nos relacionamos com Ele somos sempre recebedores; é isso que significa "só pela graça". Mas, como disse Lutero: "Deus não necessita de nossas boas obras; nosso próximo é que precisa delas". Nós demonstramos nosso amor a Deus amando os irmãos e os perdidos.
 

   Nesta tirinha genialmente irônica e profundamente crítica, Quino expressa uma relidade que muitos de nós não ousamos falar. Cada ser humano tem no lugar mais profundo do seu ser (o que chamamos de coração ou alma), um egocentrismo assassino.
   "Por cima dele estava escrito o título da sua acusação: O REI DOS JUDEUS. " (Marcos 15, 26) O interessante nesta passagem é que os judeus não acusaram Jesus de uma mentira; o acusaram de uma verdade. Jesus é Rei. O pecado é todo envolto em mentiras, mas tem no seu cerne uma verdade: Jesus é rei. Por natureza queremos ser Deus, então nos sentimos ofendidos com essa verdade. Queremos governar, não nos submeter. Como disse alguém certa feita: "No seu coração há um trono e uma cruz. Se Deus estiver no trono, você estará na cruz; se você estiver no trono, Deus estará na cruz."
   É aqui que se encontra a verdadeira salvação: quando Deus muda o objeto de prazer do seu coração; troca você mesmo pelo seu Filho Jesus.

Por Thiago Francisco

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